Mindfulness e nossa linda neuroplasticidade

Oi !

Tudo bem com vc ?


Hoje, vamos avançar em nossos conhecimentos sobre Mindfulness, mantendo como base o livro de Isabel Weiss “Mindfulness e Terapia Cognitivo Comportamental”.

Mas antes, vamos só relembrar que, no texto anterior, falamos um pouco sobre as origens e os significados do termo “mindfulness”, dissemos que  os estudos sobre mindfulness baseiam-se especificamente nos Yogas Sutras de Patanjali,  vimos um pouco da história e desenvolvemos o conceito.

Hoje, vamos começar a explorar as aproximações entre Mindfulness e a Terapia Cognitivo Comportamental.

Espero que o texto seja útil, instrutivo e motivador na sua criação de uma Nova Forma de Ser!

Boa Leitura !


Mindfulness é Estar Atento e Presente

Estamos falando de Mindfulness como uma ferramenta de autoconhecimento e como ferramenta fundamental para processos de reequilíbrio em processos ansiosos e/ou depressivos, estejam eles no nível do transtorno paralisante ou não.

Seja qual for a Meditação Mindfulness que se faça, necessária e fundamentalmente, vamos passar pela sustentação da atenção. Em outras palavras, todo processo de meditação inclui um processo concentrativo.

E atenção é algo que pode ser treinado e desenvolvido ! Por você !

Práticas concentrativas modificam o cérebro dado que passam por toda uma remodelagem neuroelétrica e neuroquímica. E, se modificam o cérebro, modificam pensamentos e, se modificam pensamentos, modificam os seus comportamentos diante dos desafios que a Vida vai propondo. E, saiba, ela vai propor !

Quando falamos em Mindfulness, porém, há o uso desta atenção sustentada dirigindo-a como se fosse um lazer a outros aspectos como monitoramento de estímulos externos, percepção de sensações internas e regulação emocional. 

E isto nos leva a um outro ponto: a relação entre mindfulness e processos estressores.

A ansiedade guarda correlação com o medo, no sentido de que a ansiedade pode ser definida como o medo de uma ameaça não identificada objetivamente. Há uma sensação enorme de apreensão de que algo terrível vai acontecer, mas que, de fato, não acontece.  Mas o cérebro dispara tudo o que for necessário para nos proteger dessa ameaça, real ou não.

Temos no meio do nosso cérebro, uma estrutura pequenininha, parecida com uma amêndoa, chamada de amígdala.  “Quando nos deparamos com uma ameaça/estresse, a amígdala entra em ação e logo percebemos mudanças na frequência cardíaca, respiração e tensão muscular(...). A amígdala possui conexões com o hipotálamo, uma importante estrutura cerebral para respostas e adaptações ao estresse. Em uma situação de ameaça, a amígdala envia informações para o hipotálamo, que, por sua vez, dispara as respostas ao estresse através do eixo conhecido como eixo HPA ou hipotálamo-hipófise-adrenal. Uma vez disparado, o organismo se prepara para a “luta, congelamento ou fuga” com suas adaptações sistêmicas, como, por exemplo, a liberação do cortisol (hormônio marcador do estresse), o aumento da frequência cardíaca, o aumento da frequência respiratória, a elevação da pressão arterial etc.”

E veja que fenomenal:  “A meditação mindfulness ativa áreas do córtex pré-frontal que diminuem a atividade (e, em longo prazo, a densidade) da amígdala que, por sua vez, reduz a atividade no eixo HPA, baixando a frequência cardíaca, a frequência respiratória, a pressão arterial, a liberação do cortisol e, consequentemente, o estresse.”

Eu acho bárbaro o fato de que o cérebro pode reorganizar o funcionamento do próprio cérebro ! A parte entusiasmada ( entheos… =>cheia de Deus ) em mim fala que isso é uma super mensagem de esperança, principalmente, em se tratando de epidemias de ansiedade e depressão num país no qual a grande maioria de nós não tem dinheiro para se tratar.

Lidar com o stress é parte da nossa vida, na verdade, não existe vida se não houver tensão entre polaridades. Nós nos movimentamos por necessidades, mesmo que este movimento seja a recusa em se movimentar. Saber manejar o stress faz parte dos aprendizados de estarmos por aqui e, graças a Deusa, nossa inteligentíssima bioquímica sabe como fazer isso, mas precisamos dar uma chance para que ela se mostre em sua funcionalidade. E tudo isso pode começar modestamente com a modificação de uma qualidade respiratória através de um processo concentrativo.


Meditar rejuvenesce o cérebro

“Evidências de que a meditação pode levar a alterações na estrutura cerebral, como densidade da amígdala, por exemplo, (...) são possíveis graças aos estudos de imagem por ressonância magnética (MRI). Por meio desses estudos foi possível observar que o aprendizado da meditação causa plasticidade neuronal como qualquer outra tarefa ou atividade cognitiva. Um dos estudos pioneiros envolvendo os efeitos de longo prazo da meditação na estrutura cerebral foi realizado pela neurocientista Sara Lazar et al. O trabalho foi conduzido com 20 praticantes que possuíam ampla experiência em uma meditação budista precursora do mindfulness, comparados com voluntários com as mesmas características (idade, escolaridade e sexo), porém não meditadores. (...) 

Esse estudo nos faz compreender (guardadas as devidas proporções) que o cérebro é como os músculos: se você faz exercícios para o braço, os músculos do braço se desenvolvem, mas, caso contrário, não. Com essa analogia, percebemos que depois de muitos anos meditando, monitorando com atenção as sensações, as áreas do cérebro responsáveis por essas funções estarão mais “fortalecidas” e com maior espessura, na medida em que ao longo da vida o cérebro vai perdendo neurônios. Outro resultado interessante desse estudo é que, nas regiões “exercitadas” pela meditação, o córtex cerebral dos meditadores de 40 a 50 anos de idade tinha espessura semelhante à do córtex de pessoas de 20 a 30 anos, o que levou os pesquisadores a concluírem sobre um provável efeito neuroprotetor da meditação, também observado em revisão sistemática por Last et al., o que seria de grande importância nas doenças neurodegenerativas e no envelhecimento.”

Hipocampo

Níveis elevados de cortisol exercem efeito neurotóxico (matando células) no hipocampo, sendo portanto uma região do cérebro sensível ao estresse. E o hipocampo é uma estrutura que temos no cérebro que se relaciona com cognição, memória e a própria regulação de stress. Essa é, em parte, a explicação de porque esquecermos coisas, confundirmos palavras quando estamos super estressados. E atire a primeira pedra quem já não passou por isso…

No stress crónico, transtornos depressivos ou transtornos de ansiedade, o hipocampo diminui. E o contrário acontece a partir da prática de mindfulness bem fundamentada e procedimentada.


Mindfulness e tristeza: qual a relação ?

Há autores que “estudaram os efeitos do protocolo de MBSR de oito semanas na circuitaria neuronal da tristeza. Para tanto, os voluntários fizeram o exame de ressonância magnética funcional (fMRI) enquanto assistiam vídeos de conteúdo neutro e vídeos de conteúdo “triste”. Como esperado, os vídeos de conteúdos distintos tiveram padrões diferentes de ativação cerebral. O grupo que fez a meditação mindfulness apresentou menor reatividade durante os vídeos de conteúdo triste do que o grupo que não meditou. Nos meditadores, houve menor ativação de regiões relacionadas com a memória autobiográfica e o processamento autobiográfico. Essas regiões estão mais ativas em pacientes deprimidos e durante a ruminação (padrão de pensamento repetitivo), um importante sintoma da depressão. A ativação da ínsula teve correlação negativa com os escores de depressão. A ínsula parece regular as áreas do cérebro, mudando da circuitaria que está ativa durante os vídeos de conteúdo triste para a circuitaria da meditação. É interessante observar como existem circuitos distintos para a tristeza e para a meditação, e como um circuito, neste caso mediado pela ínsula, parece inibir o outro.” A meditação é um processo protetivo para depressão !!!!


Vamos utilizar as palavras de Isabel Weiss para finalizar este artigo.

Então, em resumo… “a meditação mindfulness causa alterações neurobiológicas na atividade elétrica, na estrutura e na função cerebrais. Algumas dessas alterações estão relacionadas a vias de neurotransmissão importantes em transtornos de ansiedade, humor e bem-estar. Outras dizem respeito à percepção de ameaça e ao estresse. Maior espessura cortical de regiões relacionadas às funções executivas, atenção, memória e cognição também tem sido observada em decorrência da prática da meditação mindfulness, ainda que haja muito ainda a ser pesquisado. Dessa forma, compreendendo os efeitos da meditação no sistema nervoso central e suas repercussões sistêmicas, pode-se introduzir programas baseados em mindfulness para o tratamento de diversos transtornos, bem como uma forma de prevenção de algumas doenças e de promoção de mais saúde e bem-estar, para assim contribuir para uma vida mais mindful e plena.”

Beijos e até o próximo encontro quando entraremos em alguns temas de modo mais específico, como por exemplo, programas de Minfulness para Redução de Stress.

Até lá !


Referência Bibliográfica

Mindfulness e terapia cognitivo-comportamental / Isabel C. Weiss de Souza ; colaboração Cleyton Brust ... [et al.]. ­‑ 1. ed. ­‑ Barueri [SP] : Manole, 2020.


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